“As Bruxas de Salém” estreia no Rio de Janeiro com Carmo Dalla Vecchia

Com direção de Renato Carrera, “As Bruxas de Salém” estreia no dia 4 de setembro de 2025, no Teatro Casa Grande, localizado no Leblon, Rio de Janeiro, com elenco composto por 15 atores e atrizes, entre eles Carmo Dalla Vecchia e Vannessa Gerbelli. A obra do americano Arthur Miller não é apenas um relato histórico, mas também uma crítica social e política que ressoa com a experiência humana contemporânea, questiona a natureza da verdade, a importância da integridade individual, os perigos da intolerância e da manipulação.

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Em 1692, na vila de Salém, em Massachusetts, parte da região conhecida na época como Nova Inglaterra, no nordeste do Estados Unidos, o fazendeiro John Proctor (Marcel Giubilei) rompe com sua jovem amante Abigail Williams (Elisa Pinheiro), sobrinha do reverendo Páris (Carmo Dalla Vecchia), que passa a agir com objetivo oculto de eliminar rivais e proteger segredos pessoais. Após Abigail ser flagrada liderando um grupo de jovens mulheres que dançavam feito pagãs, acusadas de conjurar espíritos na floresta, são levadas a julgamento e diante da Corte Suprema (Vannessa Gerbelli), para escaparem de serem mortas, alegam estar possuídas pelo diabo. O que dá início a uma onda de acusações infundadas e histeria coletiva, que leva à condenação de várias pessoas por bruxaria, inclusive Elizabeth Proctor (Patrícia Pinho).

 

“Na nossa montagem o público faz parte da assembleia desse julgamento”, comenta Renato Carrera.

Arthur Miller parte desse mote para construir uma obra de estrutura dramática trágica. Dividida em quatro atos, a peça reflete a religiosidade puritana da época, com crescente tensão opressiva e emocionalmente carregada. Desta forma o autor levou para a sua contemporaneidade questões atemporais com personagens complexos e temas universais, que continuam, no tempo atual, a provocar reflexões profundas sobre liberdade, verdade e responsabilidade moral, como símbolo da resistência à intolerância e à manipulação ideológica.

A fala da juíza Danforth “Ou estás com esta corte, ou estás contra ela”, expressa a lógica binária que domina o debate público e se sustenta até a atualidade. Representa a cegueira ideológica e o autoritarismo disfarçado de justiça. Esse trecho não fala apenas do século XVII, fala de qualquer época em que a verdade é distorcida por medo, ideologia, religiosidade ou poder. Até que ponto estamos repetindo, com novas ferramentas, as mesmas injustiças do passado?

Hoje, em um mundo marcado por tensões políticas, sociais e digitais, “As Bruxas de Salém” mostra como o medo e a histeria coletiva podem ser usados para justificar perseguições, silenciar vozes dissidentes e destruir reputações. É, assim, uma crítica atemporal aos mecanismos de repressão social e política, por mostrar como sociedades podem se voltar contra seus próprios cidadãos em momentos de crise. A peça é também uma reflexão sobre a coragem individual diante da opressão.

Escrita em 1953, durante a perseguição anticomunista nos Estados Unidos, a peça retrata os julgamentos por bruxaria na Salém do século XVII, mas sua mensagem permanece atual – em contexto mundial.

O elenco é composto por: Carmo Dalla Vecchia (Reverendo Páris), Vannessa Gerbelli (Juíza Danforth), Elisa Pinheiro (Abigail Williams), Patrícia Pinho (Elizabeth Proctor), Marcel Giubilei (John Proctor), Isabel Pacheco (Sra. Ana Putnam), José Karini (Reverendo Hale), Fernanda Sal (Mary Warren), Daniel Braga (Ezekiel Cheever, Hathorne e Hopkins), Bela Carias (Betty Páris), Clarisse Deussane (Mercy Lewis), Flávia Freitas (Tituba), Izabella Almeida (Susana Walcott), Lindomar Francisco (Guiles Corey) e Maria Adélia (Rebecca Nurse).

“Eles estão no subterrâneo da alma, nesses lugares desconhecidos onde o ser humano esconde mentiras e falsas verdades, manipulações, “bruxarias” do que deseja, pulsões sexuais ou religiosas”, comenta Renato Carrera. “Trazemos essa história, esses personagens, para os dias de hoje quando retiramos a carga de época da peça, com um figurino e um ambiente mais contemporâneo”, revela o diretor.

A encenação terá projeções de imagens filmadas em tempo real, durante as apresentações, música tocada ao vivo por Gustavo Benjão, que assina a trilha sonora, e os personagens estarão em um cenário de ambiente subterrâneo, preservando a tensão em tempo integral.

“Revisitarmos o Bruxas nos dias de hoje comunica diretamente com a nossa sociedade e a contemporaneidade do que está havendo no mundo. Existe ainda uma caça às bruxas no racismo, na lgbtfobia, na misoginia… É muito poderoso acessarmos uma história de séculos atrás, e ver que talvez nossa sociedade não tenha avançado tanto assim. Já que nossa máquina política ainda é movimentada e alimentada por notícias falsas, pelo negacionismo, uma adoração a um deus que não aceita as diferenças e nem olha ao próximo, além de incitação proposital ao medo e da histeria coletiva”, declara Marcel Giubilei.