Natalia Borges Polesso: A escritora que segue traçando novos caminhos na literatura brasileira em prol da Diversidade
Por Artur Vieira*
A escritora e professora gaúcha de 44 anos que assumidamente se declara apaixonada por poesia desde criança: Natália Borges Polesso é um dos nomes mais destacados da literatura brasileira contemporânea. Com uma trajetória marcada por prêmios importantes e um repertório literário que transita com naturalidade entre contos e romances voltados para o universo das mulheres lésbicas, a autora gaúcha se consolidou como uma voz potente da diversidade e da inovação narrativa no Brasil. E isso não são palavras minhas não, ela entrou para a seleta lista dos melhores livros do século feita pelo jornal “Folha de São Paulo”.
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Doutora em Letras, Polesso já publicou 10 livros. Sua estreia ocorreu em 2013 com “Recortes para álbum de fotografia sem gente”, que venceu o Prêmio Açorianos de Literatura. Mas foi com “Amora” (2015) que a autora ganhou projeção nacional e internacional.
A coletânea de contos, que apresenta histórias protagonizadas por mulheres lésbicas em suas mais variadas formas de existência, venceu o Prêmio Jabuti em duas categorias (Contos e Escolha do Leitor), além dos prêmios Açorianos e da Associação Gaúcha de Escritores (AGEs). O sucesso de “Amora” ultrapassou fronteiras: o livro foi traduzido para o espanhol, entrou no Plano Nacional do Livro Didático (PNLD), e caiu na prova do Enem em 2018 e novamente em 2024, e foi apontado como uma das obras LGBTQIA+ que estavam mudando o cenário literário nos Estados Unidos.
“Eu considero esse um dos grandes feitos do livro (Amora), cair duas vezes em questões do ENEM em 2018 e 2024”.
ATIVISTA COM SENSIBILIDADE
Ela se reconhece como nãobinária lésbica e possui uma sensibilidade incrível para brincar e trazer sentido para as palavras em seus textos; depois do reconhecimento com “Amora”, Natalia Borges Polesso passou a explorar novos gêneros e formatos. Ela reforça a importância de dar voz para escritoras femininas e combater um machismo latente também enfrentado no mercado editorial, se orgulha cada vez mais do legado poderoso que tem deixado com viés inclusive internacional.
“Por anos a literatura de mulheres foi visto como algo menor”, comenta Natalia.
Em 2019, lançou seu primeiro romance, “Controle”, que também foi premiado com os prêmios AGEs e Vivita Cartier, além de se tornar finalista do Prêmio São Paulo de Literatura. Em seguida, publicou “Corpos Secos” (2020), obra escrita em parceria com outros autores que venceu o Jabuti na categoria Romance de Entretenimento.
Além da produção autoral, Natalia tem uma trajetória destacada como tradutora, vertendo para o português obras de autoras de renome, como “Tituba, bruxa negra de Salém” e “O evangelho do Novo Mundo”, de Maryse Condé; “Apocalipse bebê”, de Virginie Despentes; “A casa na rua Mango”, de Sandra Cisneros; e “Fiebre Tropical”, de Julián Delgado Lopera. Também traduziu obras de Agatha Christie e outras autoras anglófonas e francófonas.
Natalia Borges Polesso é uma escritora multifacetada, que alia compromisso literário com questões sociais e ambientais. Uma autora que, ao dar voz a personagens historicamente marginalizadas, transforma o ato de narrar em resistência — e que segue traçando caminhos essenciais para a literatura brasileira do presente e do futuro.

EM MOVIMENTO
E ela, como um incansável moinho de vento, não para por um só instante. Enquanto se prepara para o lançamento da futura série nacional dirigida por Juliana Rojas — inspirada em seu aclamado livro “Amora” —, já tem outro projeto a caminho: o romance “Penélope Obscura”, atualmente em fase de desenvolvimento. Além disso, é uma das fundadoras e coordenadoras do ADA (Atlas do Antropoceno), grupo de estudos vinculado à PUC/RS que investiga as relações entre literatura, ecologia e colonialidade.
Mulheres como Natalia Borges Polesso são verdadeiros patrimônios da nossa cultura — não apenas pelos prêmios e conquistas literárias, mas pelo compromisso inabalável com a diversidade sexual e de gênero. Sua obra, sua voz e suas ações seguem abrindo caminhos para uma literatura mais plural, livre e representativa.
*Artur Vieira é um cristão, gay e jornalista que trabalha com o público LGBT+ desde 2013 na internet com o perfil @devoltaaoreino


