Tese de doutorado identifica locais em SP em que pessoas negras LGBT+ têm acesso a novas formas de produção de cuidados
Estudo realizado na Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP identificou na cidade de São Paulo espaços-territórios que permitem às pessoas negras LGBT+ viverem melhor seus afetos e emoções. “Há nesses locais existe uma produção de cuidados que tem muito a ver com os territórios identificados”, descreveu o enfermeiro Alef Diogo da Silva Santana, entrevistado desta quinta-feira (18) no podcast Os Novos Cientistas. “Os espaços acabam se tornando territórios que podem ser considerados como “quilombos urbanos””, destacou o pesquisador.
Leia também:
Marcelo Cerqueira lança livro sobre travesti serial killer
Editora Tamba-tajá lança Engerar Onça: construindo Ecofeminismo na Oniricena
Para realizar seu estudo, Alef percorreu a cidade e identificou locais em que essas pessoas vivem seus afetos e emoções. Além disso, entrevistou e conviveu com pessoas, acompanhando parte de suas trajetórias, por um período médio de três anos. E foi por intermédio dessas pessoas que ele conheceu e centrou seu estudo em dois espaços-territórios frequentados por esse público, composto, em sua totalidade, de pessoas negras de diferentes identidades de gênero e orientações sexuais.
A pesquisa envolveu diários de campo e observação participante a partir da construção de vínculos e de estranhamento de questões que são tidas como “normais”. O pesquisador participou da vida cotidiana e dos rituais do grupo para compreender suas visões de mundo e seus sistemas de significados.
“Houve uma forte interação com as ciências sociais e humanas em saúde, em especial a antropologia, em meu trabalho. Além disso, o envolvimento com as pessoas interlocutoras da pesquisa foi além de simples entrevistas. Em minhas observações-participantes, chegamos a visitar terreiros, por exemplo, que também fizeram parte do trabalho de campo da pesquisa”.
A tese de doutorado intitulada Diferenças, dengo e território: uma etnografia das relações de pessoas negras sexo-gênero diversas na cidade de São Paulo foi defendida na EERP da USP dentro Programa de Pós-Graduação Interunidades de Doutoramento em Enfermagem.


