Festa Treta cria grupos de dancers que unem moda, dança e redes sociais
A Festa Treta existe há 15 anos comandada pelo DJ Guilherme Acrízio ao lado de Thi Araújo e, desde 2023, ganhou dancers em suas edições em várias cidades do Brasil e em Nova York, Estados Unidos. A ideia surgiu em viagens internacionais e em pesquisas nas redes sociais. Acrízio percebeu que, na Europa, já existiam bailarinos que exploravam um estilo mais sensual, com looks ousados e performances que transitavam entre o feminino e o masculino.
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Ele trouxe a inspiração para o Brasil e, a partir de um experimento em suas festas, criou um movimento que rapidamente se consolidou. O que começou com um único dancer cresceu para grupos fixos em Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e até em Nova York. O diferencial está na curadoria que une bailarinos profissionais, modelos, influencers e criadores de conteúdo, escolhidos não apenas pela presença de palco, mas também pelo potencial de engajamento nas redes sociais.
A proposta também marca uma ruptura em relação aos anos 1990, quando os gogoboys dominavam a cena. Se antes o sexy era definido pelo corpo malhado e pela dança livre, hoje a sensualidade se expressa em atitudes diversas, nos looks coloridos e na integração com a cultura pop.
Esse processo fez com que os dancers deixassem de ser coadjuvantes para se tornarem protagonistas. Com coreografias inspiradas em artistas como Gloria Groove, Luísa Sonza, Pabllo Vittar e Lady Gaga, os grupos organizados por Acrízio se transformaram em marcas registradas das festas. Ezatamag foi saber mais:
Como surgiu a ideia desse novo tipo de dancer?
Na verdade, a ideia surgiu de acordo com o que a festa vai evoluindo, né? O mercado, as referências, minhas viagens, meu set de DJ, eu fui sentindo em algumas viagens que eu fiz para fora do Brasil e também em pesquisas que eu estava fazendo nas redes sociais. Comecei a ver referências de homens bailarinos, um estilo mais sensual, que acontece muito na Europa, que são os dancers, com os looks fio dental e tudo mais. A partir disso eu comecei a pesquisar no Brasil e Rio-São Paulo, pesquisando com amigos e pessoas que eu já conhecia ou alguém que dançasse e depois comecei a trabalhar, fazer curadoria. Tínhamos que desenvolver o look, começamos com um dancer, porque tinha todo esse trabalho de desenvolver esse look sensual, o homem, corpo masculino com look feminino, fio-dental e tudo mais. Foi fluindo, eu fui vendo o resultado tanto do público quanto do engajamento no Instagram, movimentava a festa no palco durante o set, ajudava bastante e aí foi crescendo, de um foi para dois, de dois foi para três, quando eu vi já foram quatro, de 2023 para cá. E aí, quando eu vi, já era um grupo, Rio-São Paulo, cada cidade com seu grupo local dos meninos. No início desse ano pra cá, surgiu a ideia de fazer um look conjunto, aí ficou com mais cara de grupo mesmo, de balé, apesar de alguns não serem bailarinos e outros são bailarinos profissionais, é uma mistura, porque eu convido também modelos, influencers, criadores de conteúdo, enfim, homens que se destacam nas redes sociais e que eu sei que vão atrair atenção do público e engajamento.
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Como tem sido a recepção do público?
Eu percebo desde a entrada dos meninos, na apresentação durante a noite, o público se aproximando da pista, nas redes sociais, o engajamento, até haters ajudam, porque os haters também são os fãs, que estão lá comentando e estão ajudando a engajar. E os vídeos e fotos dos últimos anos que mais engajaram foram praticamente dos dancers, dos dançarinos ou deles sozinhos. E aí a gente vê a resposta em cima do engajamento mesmo, das curtidas do Instagram, é esse parâmetro que eu sigo.
É um novo sexy? O conceito de sexy mudou desde os gogos dos anos 90?
A partir do momento que os meninos começaram a usar os looks iguais, a questão do corpo padrão, malhado, daí começou a surgir essa comparação com gogoboys, apesar de serem gogodancers, né? Minha ideia nunca foi ter gogoboys, porque senão a gente já teria tido desde o início, a festa tem quase 15 anos. Acabou virando um grupo e foi fluindo, então mudou a questão do som talvez, se for pra responder dessa forma de comparação, porque a festa pop funk. Eles dançam diferente, são as coreografias da do funk, da Gloria Groove, da Luísa Sonza, da Pabllo ou hits internacionais da Lady Gaga com as coreografias. E tem os meninos que só fazem close no palco porque são bonitos, ou então têm muito engajamento na rede social ou são criadores de conteúdo. Isso tudo faz parte do quesito de escolha porque tudo vai ao vivo e ajuda na divulgação da festa no Instagram. E hoje em dia é o algoritmo que libera quanto mais curtidas, quanto mais comentários. Em cima disso é o trabalho. Comecei obviamente a pesquisar algo que fosse mais colorido, daí veio o cropped do Brasil. Algo que tivesse uma identidade, um conceito que eu pudesse usar várias vezes esse look, tanto no Rio quanto em São Paulo e fora também, porque acabei criando um terceiro grupo em Nova York agora e o quarto grupo em Brasília. Eu crio um grupo para facilitar a logística do translado de elenco de cada cidade, por conta de a gente fazer em vários lugares diferentes. Por questão de custo mesmo, e aí acabei criando grupos de elenco diferentes em cada cidade, também ajuda na divulgação. Eu acho que essa é a grande diferença dos anos 90 para cá, sem dúvida é a rede social, que individualiza cada dançarino, cada artista, cada profissional. E ajuda a gente a saber quem tem mais carisma, quem funciona mais, porque rede social hoje em dia é um parâmetro de você ver quem tem mais seguidor, quem está engajando mais vídeos, quem está atingindo mais público.
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Como é a preparação deles para entrar na festa?
A preparação é individual também, a gente não tem ensaios, cada um faz o seu. Eu faço toda curadoria de escolha de look, de escolha de elenco, acompanho para ver quem está dando mais retorno nas redes para poder chamar de volta. Tem um elenco fixo, que eu vou convidando a cada edição para todos os estilos, corpos, mas quem dita mesmo, quem julga, é o público. Eu escolho também porque eu toco, então eu também trabalho em cima disso, desse conceito no meu set de ter os dançarinos, de ter as drags. Aagora a gente está com um grupo novo de drags burlescas, que são mulheres cis drags. É o terceiro grupo que eu estou trabalhando, essa criação, e isso é uma coisa que eu gosto muito de fazer. E a partir das oportunidades que eu estou tendo com a festa estou criando cada vez mais essa conexão de criação artística.
O que faz uma boa festa?
Eu percebo em todos esses anos de festas, viagens e turnês, que quando a festa é boa, é só quando dá cinco da manhã, cinco e meia, se a pista ainda estiver cheia, certeza de que a gente entregou. Para eu saber que essa festa foi boa ou não, cinco da manhã, se estiver cheia ainda, é porque foi uma noite perfeita. As pessoas estão dançando, a casa está cheia e a gente entra na rede social, a gente vê o público repostando nos stories, ou seja, cada ponto é fundamental para a gente ter um parâmetro se a noite foi boa ou não. Desde o bar, se as pessoas estão bebendo, a rede social, se elas estão comentando, curtindo e repostando a festa. 5 da manhã essa pizza está cheia porque o resultado foi bom. Então são vários pontos que eu analiso para finalizar e falar essa noite foi boa, essa foi mais ou menos. E aí seguimos.







