Eu só cabia nas palavras e foi aí que comecei a me escrever
Há livros que não apenas contam histórias. Eles nos oferecem um espelho, às vezes rachado, outras vezes luminoso, para que a gente possa se ver com mais verdade. “Eu só cabia nas palavras”, de Rafaela Ferreira, é um desses livros.
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Um romance juvenil potente, que fala de corpos que não cabem — nem nas carteiras da escola, nem nas timelines higienizadas das redes, nem nos olhares atravessados que tentam nos empurrar para dietas e silêncios. Mas cabem nas palavras. Cabem na escrita. Cabem no amor.
A protagonista Giovana, uma adolescente gorda e criativa, encontra na escrita o espaço para existir por inteiro. É através dos diários, das redes e dos encontros que ela constrói caminhos de afeto e autodescoberta, inclusive ao se apaixonar por Lisa — uma das partes mais lindas e delicadas da narrativa. Rafaela Ferreira escreve com honestidade e coragem sobre gordofobia, amizade, amor e liberdade.
“Assim como eu, Gio se descobre nas aulas de teatro. Mas, diferente de mim. Ela se banca por ali mesmo. Eu fiz toda essa volta, me escondendo no próprio nome, sendo jornalista, para, enfim, poder falar do corpo e ser um ser só: nome, corpo, inteira”, conta a autora.


