Maria Lis Cardoso é jurista crítica e pesquisadora em Processo Penal
Com uma trajetória marcada pela reflexão crítica sobre o direito e sua função social, Maria Lis Cardoso se destaca como uma das vozes mais propositivas de uma nova geração de juristas e pesquisadoras trans no Brasil. Atuando a partir de uma perspectiva interseccional, seu trabalho questiona as estruturas dogmáticas que sustentam o sistema penal e propõe outras formas de pensar a justiça, a linguagem jurídica e a produção de conhecimento no campo do direito.
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Graduada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Maria Lis desenvolve uma linha de pesquisa que une teoria crítica do processo penal, estudos de gênero e epistemologias jurídicas não hegemônicas. Sua produção acadêmica e autoral busca desestabilizar os discursos de neutralidade e objetividade do direito, evidenciando como o sistema de justiça reproduz desigualdades estruturais, especialmente em relação a pessoas trans, negras e periféricas.
Autora da newsletter “Perspectivas de Resistência”, Maria Lis publica ensaios e textos analíticos que se tornaram referência para quem acompanha o debate contemporâneo sobre transfeminicídio, poder punitivo e crítica institucional. O projeto é também um espaço de formação e partilha, onde articula vivência, dogmática jurídica e crítica social, explorando a linguagem como campo de disputa política.
Em seus textos, Maria Lis adota uma escrita precisa e insurgente, que busca traduzir conceitos jurídicos complexos sem abrir mão da densidade teórica. A partir de uma hermenêutica interseccional, propõe revisões conceituais que questionam tanto as bases epistemológicas da ciência jurídica quanto as práticas institucionais que sustentam o controle penal sobre corpos dissidentes.
Sua produção se estrutura em torno de três grandes eixos temáticos:
Processo Penal e Crítica ao Sistema de Justiça: análise do funcionamento das estruturas de poder e da seletividade punitiva, com atenção à aplicação desigual do direito penal em contextos de vulnerabilidade social.
Transfeminicídio e Teoria Penal Crítica: reflexão sobre o reconhecimento e a tipificação da violência contra pessoas trans, questionando a invisibilidade institucional e a falta de resposta jurídica adequada.
Gênero, linguagem jurídica e hermenêutica interseccional: investigação sobre como o direito constrói — e impõe — significados sociais por meio da linguagem, e como uma epistemologia trans e feminista pode reconfigurar essas narrativas.

Além de sua atuação como pesquisadora, Maria Lis é uma intelectual pública comprometida com o diálogo entre o meio acadêmico e a sociedade. Em suas publicações, apresenta uma visão que vai além da denúncia das falhas institucionais: propõe novas práticas discursivas e metodológicas que permitam o surgimento de um direito verdadeiramente democrático e plural.
Seu trabalho tem inspirado debates em universidades, eventos e coletivos jurídicos que discutem a despatriarcalização e a descolonização do pensamento jurídico. Ao propor uma escrita que incorpora a experiência vivida, Maria Lis desafia a ideia tradicional de objetividade e convida a comunidade acadêmica a reconhecer o valor da subjetividade situada como fonte legítima de conhecimento.
Em suas reflexões sobre transfeminicídio, aponta que o problema não é apenas a ausência de normas que reconheçam a violência contra pessoas trans, mas também a estrutura epistemológica que impede o próprio reconhecimento dessas vidas como dignas de proteção jurídica. Sua análise articula direito penal, teoria de gênero e crítica institucional para expor como a linguagem do direito pode tanto silenciar quanto libertar.
Maria Lis defende uma abordagem jurídica não punitivista, centrada na transformação social e no fortalecimento comunitário, em oposição às respostas carcerárias e repressivas que caracterizam o sistema atual. Essa visão posiciona sua pesquisa entre as mais inovadoras do campo do processo penal crítico, abrindo caminhos para uma prática jurídica que una rigor teórico e compromisso ético-político.
Com mais de 1.600 seguidores e mais de 500 conexões profissionais, Maria Lis mantém presença ativa no LinkedIn, onde compartilha análises, resenhas e comentários sobre temas jurídicos e sociais. Sua rede de contatos reflete o reconhecimento crescente de sua contribuição para o debate jurídico contemporâneo, especialmente entre juristas, pesquisadoras e ativistas dedicados à construção de epistemologias do Sul e perspectivas de resistência trans e feministas.
A trajetória de Maria Lis Cardoso é também um manifesto: um chamado para repensar as bases do conhecimento jurídico a partir das margens. Sua produção combina raciocínio técnico e sensibilidade política, articulando teoria e prática com a clareza de quem entende o direito como campo de disputa e de criação.
Em um cenário jurídico ainda marcado pela exclusão e pela normatividade cisheteropatriarcal, Maria Lis propõe um modo de pensar e escrever o direito a partir do corpo, da experiência e da vulnerabilidade — não como fraquezas, mas como potências epistemológicas.
Assim, sua atuação transcende o campo acadêmico: é uma contribuição concreta para a reconfiguração das práticas jurídicas e das formas de produção de saber. Entre suas principais características profissionais estão:
Análise crítica do processo penal e do sistema de justiça
Pesquisa em transfeminicídio e violência institucional
Produção teórica sobre linguagem e epistemologia jurídica
Escrita jurídica interseccional e acessível
Atuação em projetos de pesquisa, extensão e formação acadêmica
Maria Lis Cardoso representa uma geração que desafia as fronteiras do direito para reinscrevê-lo na vida real — plural, política e situada. Sua produção não apenas denuncia a desigualdade, mas também propõe alternativas teóricas e práticas para uma justiça que reconheça as diferenças e as traduza em equidade.
Como jurista, escritora e pesquisadora, ela reafirma que a resistência é também uma forma de produção de conhecimento — e que a transformação do direito começa pela transformação da linguagem que o sustenta.


