Eu acredito que errar o nome de uma pessoa pode não ser só uma falta de consideração ou atenção
Por Dani Chibani*
Algumas músicas contam muito mais histórias do que seus versos podem carregar. E esse é o caso da música “That’s not my name”, da banda The Ting Things. A música é um grande sucesso da banda que viralizou no Reels e TikTok nos últimos anos. O que, segundo os integrantes, tem ajudado a banda se manter no mercado fonográfico.
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Na trend, artistas consagrados mostram seus personagens famosos, pegando carona no refrão em a vocalista canta que a chamam de vários nomes, mas que não é seu nome.
“They call me hell
Tey call me Stacey
They call me her
They call me Jane
That’s not my name”
Katie White, a vocalista da banda, disse em entrevistas que a música foi composta com seu duo e marido Jules de Martino a partir de seus desabafos sobre a indústria musical. Ela diz que tentaram a tornar uma sexy symbol e que estavam mais interessados em ganhar dinheiro do que ouvir suas músicas.

“That’s not my name” surge após serem descartados pela Mercury Record, fazendo a dupla se sentirem invisíveis. A letra é um verdadeiro manifesto pela busca por identidade, o que a torna atemporal.
Eu acredito que errar o nome de uma pessoa pode não ser só uma falta de consideração ou atenção. Existe aí uma intenção de apagar uma identidade. E essa prática não é só feita no cenário audiovisual, em geral. Pessoas à nossa volta fazem isso diariamente.

Trabalhei com uma pessoa que dizia que falava o nome errado dos funcionários até eles merecem serem chamados por seu nome. Nota que há uma intenção de submissão nessa prática?
Como uma pessoa de gênero queer, nos chamar pelo nome morto pode até ser uma distração de quem nos conhece há muito tempo. Mas, na maioria das vezes, é uma forma de nos negar uma identidade. A nossa identidade!
Então, se isso te acontecer, lembre-se dessa música, levante a cabeça e diga: Esse não é meu nome!
Um beijo da Dani
*Dani tem 40 anos, é queer e autista. Ela é uma eterna otimista que ama tanto os livros, que decidiu trabalhar com isso. Escrever, para ela, é uma forma de sobrevivência.
https://substack.com/@danttine

