Projeções a laser na Praça Roosevelt denunciam privatização e celebraram 30 anos de orgulho LGBTQIAPN+

Por Artur Vieira*

A rua sempre foi o lugar da disputa de narrativas, e a arte, quando aliada à luta por direitos, transforma-se em um poderoso instrumento de resistência. No final da tarde do último domingo (7), às 17h30, a Praça Roosevelt, no coração de São Paulo, foi palco de um manifesto luminoso e político. Em tempos em que a especulação imobiliária e os projetos de concessão tentam privatizar o espaço público, privando a população do direito básico ao lazer e à coletividade, a comunidade LGBTQIAPN+ responde com luz, poesia e ocupação.

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A ação, promovida pela Escola LGBTQIAPN+ de Cidadania e Criatividades – ELLA(C)³ (@escola.cidadaniaecriatividades) por meio[HF2.1] de seu eixo de Ativismo e Criatividades, trouxe o artivista e aliado da causa Paulo Fluxuz (@fluxuz_) para realizar uma projeção a laser nos prédios que cercam a praça. O ato marcou o encerramento das atividades da Parada do Orgulho de 2026, lembrando que a nossa luta começou justamente ali, em praça pública, e é nela que seguimos resistindo para existir.

Praça Roosevelt, no coração de São Paulo, foi palco de um manifesto luminoso e político

As frases projetadas, elaboradas pelo Fórum Arco-íris — um encontro de jovens LGBTQIAPN+ afro-indígenas, quilombolas e caiçaras do Fórum de Comunidades Tradicionais (@forumdecomunidadestradicionais), promovido pelo projeto Transborda (@trans_borda.impacto) —, ecoam em português e em guarani, rasgando a noite paulistana com mensagens inegociáveis!

“Minha existência não é opinião.
“Xee aikoa ijayua va’erã he’yn”

O orgulho nasce da resistência.
“Jerovia oiko jaikoa gui”

A potência desse encontro se materializa na multiplicidade de vozes e na denúncia direta contra o chamado Complexo Roosevelt de Concessão. Usar o espaço público como mercadoria representa uma ameaça direta não apenas à comunidade LGBTQIAPN+, mas à própria essência democrática da cidade. A praça e a rua são públicas e não podem ser privatizadas.

“Não podemos retroceder. São 30 anos de luta para que pudéssemos ter os direitos que temos. Seguimos lutando com arte e criatividade, afinal é aí que brilha o protagonismo da nossa comunidade LGBTQIAPN+”, afirma André Chiarati de Oliveira, diretor e co-fundador da ELLA.

O ato marcou o encerramento das atividades da Parada do Orgulho de 2026

MOBILIZAÇÃO NECESSÁRIA

A mobilização que ocorreu no domingo se soma a uma série de articulações em defesa do centro de São Paulo. A ELLA(C)³ também foi uma das organizações à frente do Fórum Inter-religioso LGBT+ (@forumlgbtqaimaisinterreligioso), realizado no sábado (6) no Largo do Arouche, em parceria com o Comitê de Usuários do Largo do Arouche (@ocupa.largodoarouche). Juntos, esses coletivos atuam na gestão participativa das praças centrais, demonstrando que a ocupação popular é o único caminho contra o apagamento e a revitalização de forma desnecessária apenas para valorização imobiliária.

Em um ano decisivo para a defesa dos territórios urbanos, a projeção na Praça Roosevelt não é apenas uma intervenção artística, é um manifesto político. É a reafirmação de que não recuaremos diante daqueles que utilizam a máquina pública para vender a nossa história. A aliança entre artivismo, ancestralidade indígena e luta LGBTQIAPN+ fortalece a certeza de que nossas causas são nossas pautas.

*Artur Vieira é um cristão, gay e jornalista que trabalha com o público LGBT desde 2013 na internet com o perfil @devoltaaoreino