Lucas Veiga propõe uma ‘clínica racializada’ para pensar saúde mental e racismo em Clínica do impossível
O psicólogo e escritor Lucas Veiga lança a obra Clínica do impossível: Como pessoas negras podem cuidar da saúde mental em um mundo racista, na qual constrói uma reflexão profunda sobre os efeitos do racismo na subjetividade de pessoas negras e os desafios do cuidado em saúde mental em um mundo atravessado por desigualdades. Publicado pelo selo Paidós, da Editora Planeta, o livro reúne experiências clínicas, referências filosóficas e diálogos com a arte para pensar uma prática terapêutica capaz de acolher as marcas deixadas pela violência racial sem reduzir a existência a elas. A obra parte do paradoxo que a nomeia: a impossibilidade de uma resolução definitiva do racismo e, ao mesmo tempo, a urgência de criar saídas possíveis para viver e resistir.
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“O que me levou primeiramente a nomear o livro de Clínica do impossível foi a repetição dos episódios de racismo cotidiano vividos pelos meus pacientes. Mesmo depois de estarem fortalecidos em suas identidades enquanto pessoas negras, seguros de si e com a autoestima cuidada, os episódios de violência racial não param de acontecer, e isso produz efeitos. O terapeuta é testemunha desses episódios. Sua função é escutar, acolher e ajudar o paciente a não permitir que sua vida seja reduzida pelo racismo”, conta Lucas Veiga.
Com escrita sensível e rigor teórico, Lucas propõe o conceito de uma “clínica racializada”, em que saúde mental, política e ancestralidade se entrelaçam para ampliar as formas de escuta e compreensão da experiência humana. Ao longo do livro, o autor costura cenas do cotidiano clínico a reflexões sobre identidade, exclusão e pertencimento, revelando como o racismo delimita possibilidades de existência, mas também como surgem forças criativas capazes de afirmar a vida para além dessas estruturas. O resultado é um texto que atravessa a psicanálise tradicional e imagina novos modos de cuidado e elaboração subjetiva.
“Pensar em uma clínica racializada é entender que o racismo produz efeitos na realidade social e também na subjetividade das pessoas negras. Proponho no livro o conceito de dupla escuta como principal característica de uma clínica racializada: ouvir aquilo de radicalmente único e singular que aparece na fala de cada paciente e ouvir a dimensão coletiva também presente, ou seja, os efeitos do racismo que atravessam coletivamente as pessoas negras. Recorrer à ancestralidade como estratégia de cuidado tem a ver com olhar para nossa história individual e coletiva, identificando os recursos de que nossos ancestrais lançaram mão para não apenas sobreviver, mas ter uma relação de afirmação e de fruição da vida, como os quilombos, o samba e a ética do bem viver”, explica Lucas.

Mestre em Psicologia Clínica pela Universidade Federal Fluminense, Lucas desenvolve a própria atuação profissional em atendimentos clínicos, cursos, palestras e consultorias voltadas à saúde mental e às relações raciais. Os estudos e práticas de Veiga deram origem a iniciativas como os cursos “Introdução à Psicologia Preta”, “Frantz Fanon e a esquizoanálise” e “Clínica do impossível”, aprofundando discussões contemporâneas sobre descolonização do cuidado psíquico e estratégias de promoção de saúde mental em contextos de crise.
Ao aproximar teoria e vivência, Clínica do impossível: Como pessoas negras podem cuidar da saúde mental em um mundo racista amplia o debate sobre racismo e subjetividade sem abrir mão da dimensão poética e humana da escuta clínica. O livro conta ainda com textos de orelha e endossos de Ediane Ribeiro e Alexandre Coimbra Amaral, reforçando a potência de uma obra que transforma o consultório em território de reflexão, memória e reinvenção da vida.
Clínica do impossível
Autor: Lucas Veiga
ISBN: 978-85-422-4185-3
176 páginas
R$54,90
Editora Planeta | Selo Paidós


