Melissa Maurer lança exposição online para discutir o machismo e a quebra de paradigmas sobre o homem

O gigantesco poder transformador da imagem está sendo usado pela fotógrafa e artivista Melissa Maurer, da Chapada dos Veadeiros (DF), para discutir o machismo, sensibilizar, acolher. Ela acaba de lançar a exposição online “Macho.cados”, que usa fotos e relatos para sensibilizar sobre as camadas de violência que o machismo traz consigo, seus efeitos, mas também sua solução.

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O projeto traz 20 participantes entre homens gays, bissexuais, pansexuais, homens transexuais e um participante não binárie. A proposta do projeto é trazer esses corpos nus em posições de vulnerabilidade, onde cada fotografia traz um relato sobre como o machismo afeta suas existências.

Melissa: ao propor para o modelo posições fetais e de acolhimento, percebi a força que uma imagem como essa pode passar

Melissa classifica que “a busca de um ideal de masculino que se estabeleceu e se fortaleceu ao longo da história tem reiterado que, quanto mais o homem se afasta do universo feminino, ‘mais homem’ ele será”.

A exposição mostra que esta “é uma lógica binária simplista que, em termos práticos, inibe ou constrange o homem de usufruir ou desenvolver potenciais sensíveis e práticos que a sociedade estimulou nas mulheres, como, por exemplo, expressar tristezas, medos, sofrimentos, dificuldades, autocuidado, constrangendo-os à busca de suporte médico ou psicológico, trazendo prejuízos, inclusive, para a saúde mental e física dos homens”.

Socialmente, não estamos acostumados a ver homens sentir.

A ideia do projeto surgiu a partir de reflexões internas da fotógrafa, que normalmente tem como foco do seu trabalho corpos femininos. Após ser contratada por um homem para um ensaio, acessou padrões machistas dentro de si mesma ao ficar desconfortável em propor posições mais vulneráveis.

“Socialmente, não estamos acostumados a ver homens sentir. Quando tive essa experiência ao ser contratada, percebi em mim uma necessidade de querer retratar a força e virilidade do corpo masculino, e acessei esse bloqueio meu.”

Ela diz ainda que “ao propor para o modelo posições fetais e de acolhimento, percebi a força que uma imagem como essa pode passar. E a partir desse acesso ao ‘meu’ machismo, comecei a refletir para desconstruir isso dentro de mim. Hoje com esse projeto compartilho essa experiência com o público”.