Falta de preparo no acolhimento LGBT+ ainda é desafio na psicologia
Por Artur Vieira*
Mesmo com avanços no debate sobre diversidade sexual e de gênero, ainda é recorrente a escassez de profissionais de psicologia capacitados para acolher, de forma sensível e respeitosa, a população LGBT+. A avaliação é da psicóloga catarinense Caroline Silveira, especialista em sexualidade humana, professora de pós-graduação e sexóloga associada à Sociedade Brasileira de Estudos em Sexualidade Humana (SBRASH). Para ela, a falta de preparo começa na base da formação acadêmica.
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“90% do meu conhecimento sobre sexualidade foi adquirido após a graduação, por meio de cursos, congressos e conferências. A faculdade não nos prepara para lidar com essas questões de forma aprofundada”, afirma.
Segundo Caroline, esse despreparo se reflete diretamente no atendimento clínico, onde muitos profissionais ainda demonstram dificuldade em lidar com vivências e questionamentos emocionais e psíquicos de pessoas LGBT+. A escuta qualificada e o acolhimento sem julgamentos, destaca a psicóloga, são fundamentais para um acompanhamento eficaz e mais humanizado.
Como mulher lésbica e atuante na saúde da família pelo SUS entre 2019 e 2021, Caroline conhece de perto os desafios enfrentados por quem busca um ambiente seguro para cuidar da saúde mental. Essa vivência, inclusive, foi o que motivou sua especialização em sexualidade e autoconhecimento.

Estresse de minorias e Setembro Amarelo
Neste mês de setembro, quando acontece é realizada a campanha do Setembro Amarelo, voltada à prevenção do suicídio, Caroline chama atenção para um fator pouco discutido: o estresse de minoria. O termo se refere ao impacto negativo que o preconceito, o estigma e a discriminação exercem sobre pessoas pertencentes a grupos minorizados, como a população LGBT+ .
Atenta às demandas específicas da população LGBT+, especialmente de pessoas trans e travestis, a psicóloga criou um modelo de atendimento online com vagas sociais e valores acessíveis. O objetivo é garantir um espaço seguro e acolhedor para quem muitas vezes não encontra suporte na rede tradicional de saúde.
“Esses fatores aumentam significativamente o risco de adoecimento emocional e psicológico. Precisamos falar sobre isso com mais seriedade”, reforça.
Dicas para cuidar da saúde mental da população LGBT+
Encerrando nossa conversa, nesse mês tão importante eu não poderia deixar de pedir para Caroline dicas de como cuidar da nossa saúde mental e emocional, principalmente no contexto de pessoas da nossa comunidade. Confira:
• Sua opinião sobre si mesmo vem em primeiro lugar:
Muitas pessoas LGBT+ crescem buscando validação externa. Aprender a se aceitar e valorizar quem você é pode ser transformador.
• Pratique atividade física regularmente:
Exercícios físicos ajudam a liberar endorfinas, diminuem a ansiedade, melhoram o humor e fortalecem a autoestima.
• Tenha um hobby:
Momentos de lazer estimulam a dopamina, promovem bem-estar, aumentam a criatividade e proporcionam equilíbrio emocional.
• Faça terapia:
O autoconhecimento é essencial para lidar com traumas, inseguranças e desafios do cotidiano. A psicoterapia oferece um espaço seguro para isso.
Para conhecer o trabalho da profissional; acesse: @carolinesilveirapsi
*Artur Vieira é um cristão, gay e jornalista que trabalha com o público LGBT desde 2013 na internet com o perfil @devoltaaoreino


