Mostra Todd Haynes ocupar CCBB Rio de Janeiro com 23 filmes, debates, sessões comentadas e curso gratuito
O que se esconde por trás das aparências? Que desejos, conflitos e tensões habitam as superfícies aparentemente estáveis da vida cotidiana? Essas são algumas das perguntas que atravessam a obra do cineasta estadunidense Todd Haynes e que guiam a Mostra Todd Haynes, com curadoria de Carol Almeida e Camila Macedo e idealização, coordenação geral e produção executiva de Hans Spelzon, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro, de 14 de janeiro a 9 de fevereiro, com entrada gratuita. A mostra conta com o patrocínio do Banco do Brasil, realização do Centro Cultural Banco do Brasil e do Governo Federal, apoio institucional do Goethe-Institut e produção da Caprisciana Produções. Em circulação, ainda vai passar pelo CCBB São Paulo e CCBB Brasília.
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Ao longo de quase cinco décadas de carreira, Haynes consolidou-se como um dos nomes centrais do cinema independente contemporâneo, um dos pioneiros do New Queer Cinema e referência na reinvenção do melodrama, do musical/POP e das narrativas centradas em personagens femininas. A Mostra apresentará 23 filmes no total, sendo 13 dirigidos por Haynes e 10 de outros realizadores em diálogo com sua obra, além de mesas de debate, sessões comentadas, ações de acessibilidade, um curso em dois encontros e o lançamento de um catálogo que reúne textos de pesquisadoras e pesquisadores brasileiros, incluindo uma tradução de um artigo de Mary Ann Doane (referência dos estudos fílmicos feministas), além de ficha técnica das obras, uma verdadeira fortuna crítica inédita sobre Haynes no Brasil. O catálogo será disponibilizado em versões impressa e digital.
Vencedor de importantes prêmios internacionais, como o Grande Prêmio do Júri em Sundance (1991), o Teddy Award em Berlim (1991), o Grande Prêmio do Júri em Veneza (2007) e a Palma Queer em Cannes (2015), Todd Haynes também foi indicado ao Oscar pelo roteiro de “Longe do Paraíso” (2002). Seu maior sucesso comercial, “Carol” (2015), recebeu seis indicações ao Oscar e se tornou um marco do cinema contemporâneo.
A Mostra Todd Haynes oferecerá ao público uma oportunidade rara de assistir na sala de cinema a obras fundamentais, muitas delas inéditas ou recentemente restauradas. Entre os destaques está “Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud” (1985), segundo curta-metragem de Haynes, apresentado a partir de uma nova restauração, ao lado de outros títulos do início da carreira do cineasta.

A retrospectiva contará com 13 filmes do diretor que vão do experimentalismo à consagração internacional: “O Suicídio” (1978), “Assassinos: Um Filme sobre Rimbaud” (1985), “Veneno” (1991), “Dottie Leva Palmadas” (1993), “Mal do Século” (1995), “Velvet Goldmine” (1998), “Longe do Paraíso” (2002), “Não Estou Lá” (2007), “Carol” (2015), “Sem Fôlego” (2017), “O Preço da Verdade” (2019), “The Velvet Underground” (2021) e “Segredos de um Escândalo” (2023). Ao longo desse percurso, destacam-se atuações que se tornaram referências, como as colaborações constantes com Julianne Moore, as performances icônicas de Cate Blanchett em “Não Estou Lá” e “Carol” e a consagração de Rooney Mara como Melhor Atriz no Festival de Cannes por “Carol”.
Em diálogo com essa filmografia, a Mostra apresenta 10 filmes de outros realizadores, escolhidos por sua relevância histórica e estética: “Jeanne Dielman” (1975, de Chantal Akerman), marco do cinema feminista; “O Medo Devora a Alma” (1974, de Rainer Werner Fassbinder), “Tudo o Que o Céu Permite” (1955, de Douglas Sirk), ambos referências do melodrama; “Uma Mulher Sob Influência” (1974, de John Cassavetes), expoente do cinema independente estadunidense; “Desencanto” (1945, de David Lean), clássico do cinema romântico britânico; “Canção de Amor” (1950, de Jean Genet), precursor do cinema homoerótico, além de ser o único filme dirigido pelo escritor Jean Genet; “Peggy e Fred no Inferno: o prólogo” (1984, de Leslie Thornton); “Vento Seco” (2020, de Daniel Nolasco); “Jollies” (1991, de Sadie Benning) e “Primavera” (2017, de Fábio Ramalho).

“Ao colocar esses filmes em relação, a mostra propõe pensar o cinema como um campo de atravessamentos, de linguagem, de política e de sensibilidade. Mais do que influências diretas, o que emerge é uma constelação de obras que ajudam a entender como certas formas de ver e sentir o mundo foram se construindo ao longo do tempo”, diz Camila Macedo.
Ao longo dessa trajetória, a Mostra também evidencia a relação profunda de Todd Haynes com a música e a cultura POP, seja na investigação de ícones e mitologias musicais, como em “Velvet Goldmine”, “Não Estou Lá” e no documentário “The Velvet Underground”, seja na maneira como a música estrutura emoções, ritmos e atmosferas em seus filmes, Haynes mobiliza o universo musical como ferramenta narrativa e política.
Outro ponto que será investigado pelos filmes e ações formativas é o melodrama presente na filmografia do diretor e a relação com os melodramas brasileiros.


