Companhia Troupp Pas D’argent estreia tragicomédia dirigida pela premiada diretora Marcela Rodrigues
A premiada diretora Marcela Rodrigues assina a direção de “TRAÇAS”, o 6º espetáculo da Troupp Pas D’argent, que estreia dia 20 de novembro, no Mezanino do Sesc Copacabana. Há 19 anos em atividade no cenário teatral brasileiro, a companhia carioca desenvolve uma pesquisa cênica e corporal que aborda importantes questões sociais, e, desta vez, volta o olhar para as raízes e a realidade do subúrbio do Rio de Janeiro em uma eletrizante tragicomédia que explora segredos, crimes e a fragilidade das relações familiares.
Leia também:
Prêmio Arcanjo celebra melhores de 2025 na cultura no Teatro Sérgio Cardoso em 17 de novembro
Daniela Mercury será a atração principal da 30ª Parada LGBTI+ do Rio
Governo federal recria Comitê Nacional de Saúde LGBTIA+
Com inspiração no cinema latino-americano, a peça constrói um thriller de humor ácido e ritmo pulsante. “TRAÇAS” apresenta uma multinarrativa dinâmica onde a cena se desdobra em primeiro, segundo e terceiro plano simultaneamente, exigindo um trabalho visceral e latente do elenco de 8 atores, que em cena, dão vida a personagens que se despem de conceitos morais desafiando as noções de “família tradicional”, tão enraizadas no discurso moralista e conservador da sociedade brasileira, especialmente nos discursos extremistas e de setores religiosos fundamentalistas. As críticas permeadas com trabalho cênico forte contrastam com a sutileza do humor ácido e ironia presentes no texto Daniella Rougemont.
A trama central gira em torno da Família Machado, recém-chegada a Inhaúma, que tem um jantar de comemoração interrompido pela visita inesperada da Família Soares. O que era para ser uma noite comum se transforma em pesadelo quando os visitantes descobrem um segredo devastador guardado pelos anfitriões. A peça usa a imagem da traça como uma poderosa metáfora: “Assim como as traças destroem silenciosamente por onde se infiltram, segredos escondidos podem gradualmente corroer o tecido familiar, levando a consequências devastadoras”, explica a diretora, que complementa:
“É interessante pensar como a traça, um inseto tão pequeno e silencioso, é capaz de corroer roupas, livros, se infiltrar em paredes e até mesmo dilacerar o concreto, mesmo aparentando ser tão frágil. No texto de Daniella Rougemont, essa corrosão é tratada de forma metafórica. Há duas famílias em cena, os Machados, que inicialmente, agem como um clã, uma colônia viva que pulsam uníssona, e os Soares, cuja presença desencadeia uma série de brigas e traições, expondo segredos, vaidades e mentiras que destroem a estrutura moral e emocional da família Machado”.

Essa corrosão moral e social é traduzida visualmente, nos figurinos de Tiago Ribeiro, inspirados no tropicalismo do final dos anos 70 e na moda do início dos anos 80, de longe podem parecer íntegros, mas analisados cada vez mais de perto, revelam as imperfeições com rasgos e buracos das traças.
Na movimentação, a direção propõe uma partitura física de desintegração baseada na Dança-Teatro, Contato-Improvisação e no bolero brasileiro. O bolero, com seu lirismo e paixão brega, ironiza a tragédia: “O que antes era simetria vira ruído. Essa degradação corporal é o espelho do desgaste interno dos personagens, o movimento se torna o buraco pelo qual o público enxerga o que eles tentam esconder”, detalha Marcela Rodrigues.
“TRAÇAS” vai além do drama familiar ao abordar temas urgentes como sequestro, desaparecimento e inversão de valores. A peça faz uma crítica incisiva à banalização da violência e à moralidade seletiva. “Não vamos apresentar mocinhos e vilões. Quero que o público saia da peça com uma sensação ambígua, rindo, mas se perguntando ‘eu posso rir disso?’ e questionando de qual lado ela vive a própria vida”. Nenhum personagem em Traças é inteiramente bom ou mau, todos estão tentando sobreviver. Essa ambiguidade é exaustiva e fascinante”, afirma a diretora.

O elenco, composto por artistas LGBTQIAPN+, pretos e pardos, reflete a diversidade e inclusão, reforçando a relevância do Edital Sesc Pulsar para a consolidação de uma cena teatral democrática. Com “TRAÇAS”, a Troupp Pas D’argent reafirma seu compromisso de 19 anos com o teatro de linguagem impactante e socialmente engajado, usando o humor como ferramenta poderosa para a crítica, nos assuntos abordados em suas montagens.
Sesc Copacabana – Mezanino: R. Domingos Ferreira, 160 – Copacabana
Temporada: 20/11/2025 a 14/12/2025
Horários: 20:30 – de quinta a domingo
Ingressos: 30,00 (inteira) e 15,00 (meia)
Classificação Indicativa: 16 anos


