Editora Tamba-tajá lança Engerar Onça: construindo Ecofeminismo na Oniricena

A escritora gaúcha Graziela Brum lança sua nova obra “Engerar Onça”, obra audaciosa que funde autoficção, crítica social e encantaria na Amazônia. Nesta narrativa, Graziela relata sua transformação radical após ser escolhida por uma onça em sonhos, desafiando as certezas urbanas que moldavam seu corpo e percepção do mundo.

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A obra registra a vivência da autora na Vila de Alter do Chão (Pará), onde a relação íntima com a onça – mediada por sonhos – desmonta hierarquias entre humano e animal. A onça emerge como coautora da jornada, invertendo a lógica antropocêntrica: não foi Graziela quem a escolheu, mas o contrário.

“A pele arranhada até o osso” simboliza a desconstrução física e psíquica necessária para romper com sistemas opressores. As garras da onça tornam-se instrumentos de libertação, rasgando a rigidez imposta pela metrópole.

A descoberta do propósito em Alter do Chão nasce de um “estalo de incompreensão” durante conversas com o amigo Cecim. Esses diálogos revelam a impossibilidade de impor “limites urbanos” à natureza – tema central do ecofeminismo da obra. A onça, como guardiã da floresta, personifica a resistência contra a exploração dos ecossistemas, e seus “olhos implantados” na autora sugerem uma nova epistemologia baseada na escuta.

A obra registra a vivência da autora na Vila de Alter do Chão (Pará)

Graziela vincula a violência contra as mulheres à devastação ambiental, seguindo a tradição ecofeminista. A onça, animal ameaçado pelo avanço do agronegócio na Amazônia, encarna a luta contra:

– Extrativismos coloniais, que objetificam territórios e corpos femininos;

– Racionalidade ocidental, que silencia saberes ancestrais e comunicação não-humana.

A experiência onírica, portanto, é ato político: restaura laços entre sonho, natureza e resistência.

Engerar Onça: construindo Ecofeminismo na Oniricena

Autora: Graziela Brum

Editora: Tamba-tajá

Preço: R$ 50

Número de páginas: 220