Projeto Esquiva transforma a Baixada Fluminense em editorial de moda e artes visuais

O Projeto Esquiva lança seu primeiro editorial virtual e desloca a Baixada Fluminense do lugar de cenário para o centro da narrativa. Aqui, o território não aparece como pano de fundo – ele estrutura a estética, o gesto e a construção das imagens. Unindo artes visuais e moda, a iniciativa se apresenta como uma plataforma de criação e visibilidade que nasce do encontro entre artistas. O resultado é um editorial que não apenas mostra, mas ativa repertórios: memória, cotidiano e invenção se cruzam em composições que atravessam passado e futuro.

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“A Baixada Fluminense é um território criativo autônomo, com dinâmicas próprias e enorme potência artística e técnica. É um território complexo, atravessado por múltiplas experiências sociais e culturais, mas também uma fonte inesgotável de invenção, linguagem e inovação”, comenta Sarah Martins, idealizadora e diretora criativa do projeto.

A edição de estreia reúne Moeda do Corte, Amber Blenda, Crystal, Guih Foster e Pietra Canle em um processo colaborativo que atravessa moda, arte e cultura popular. Com direção artística de Sarah Martins, fotografias de Angelo Pontes e consultoria de Rafaela Pinah, o projeto constrói uma linguagem própria a partir da fricção entre diferentes práticas.

No centro do editorial, uma série de ensaios fotográficos onde corpo, figurino e território se conectam. As peças, desenvolvidas exclusivamente para o projeto, partem de técnicas como crochê, transmutação têxtil, colagem, escultura e sublimação, entre outras práticas, expandindo o fazer manual para além da tradição e aproximando-o da experimentação contemporânea. Mas o que ganha força nas imagens não é apenas a técnica, mas o universo cultural que elas carregam.

Referências como os bate-bolas e o carnaval atravessam as imagens como força estética e simbólica, deslocadas do campo da festa para o campo da linguagem. Nesse movimento, o editorial cria um vocabulário visual que reconhece a Baixada como produtora de imaginário e não apenas como território representado.

“Um dos aspectos centrais do projeto está no processo de criação de cada obra. Cada artista parte de suas próprias referências e da relação com o território para construir peças a partir de materiais diversos, como tecidos, plumas, crochê, espuma e lacres reciclados. Muitas das obras também foram desenvolvidas de forma colaborativa, reforçando a criação como espaço de troca, cuidado e construção coletiva.”

Cada artista opera a partir de sua própria linguagem, mas os cenários são construídos coletivamente, criando uma unidade estética múltipla e compartilhada entre várias referências e perspectivas. O resultado são imagens que reúnem camadas visuais, estilos e olhares diversos. É justamente nessa construção coletiva que o editorial encontra sua força.

As fotografias já circularam em espaços como a Usina de Cultura Jornalista Tim Lopes, em Nilópolis, e o Botequim de Verdade, em Nova Iguaçu, ampliando o alcance do projeto para além do ambiente digital e reforçando sua relação com o território.