Rodrigo Bittes abre caminho para álbum de estreia com “Faceiro”
Rodrigo Bittes lança “Faceiro”, primeiro single de VIADO DESALMADO, seu álbum de estreia. Entre salsa, lambada, pitadas de samba e beats eletrônicos, a faixa abre a narrativa do disco e apresenta uma nova etapa do cantor, compositor e ator goiano radicado em São Paulo, atravessada por dança, desejo, ironia e humor.
Leia também:
Lucas Tors questiona o que é ‘roupa de homem’ e transforma a própria imagem em manifesto
“‘Faceiro’ é a lembrança mais animada, mais agitada, mais fugaz e mais fogosa de uma relação amorosa fulminante”, conta Rodrigo. “A música abre a narrativa a partir do fim de um relacionamento, mas não é pesarosa. A memória cede espaço para o desejo e para a vontade de encontrar, quem sabe, um novo faceiro por aí.”
A música quase ficou fora do álbum. O resgate aconteceu de forma despretensiosa, enquanto o artista lavava louça na casa coletiva onde mora. Ao cantarolar a composição a cappella para os amigos, a reação entusiasmada garantiu sua entrada no repertório. “A voz dos meus amigos foi a voz de Deus. Decidi que ela seria o single porque é muito da safada e todo mundo ama safadeza”, brinca.
Em uma salsa sambada que coloca um tamborim no seu ápice, o trabalho, que conta com produção de Ivan Gomes, é guiado por um coro em dinâmica de pergunta e resposta, reunindo referências que passam por Pabllo Vittar, Getúlio Abelha, Marília Mendonça, Banda Uó, Linn da Quebrada e Gaby Amarantos. “Safadeza, dança e cerveja”, nas palavras do artista, resumem a atmosfera do projeto.

“Faceiro” dá continuidade ao Techno-Bittes, iniciado em 2024 com os singles “FOGAREIA” e “JÁ CHEGA!”. Se em Plantio (2022), seu primeiro EP, Rodrigo partia de um contexto marcado pela pandemia, clausura e isolamento, nos lançamentos seguintes passou a aproximar beats eletrônicos do tecnobrega e do sertanejo, em diálogo com suas raízes goianas.
Essa pesquisa, agora, se expande em VIADO DESALMADO, definido por ele como “um delírio bregasertanejístico queer” que passeia por diferentes estilos musicais enquanto narra aventuras e desventuras amorosas, reais ou imaginadas. Entre as referências que atravessam essa fase está também o Teatro Oficina, onde Rodrigo atua e cuja experiência de criação coletiva influencia seu trabalho artístico.

Enquanto a canção nasce da lembrança de um amor passado, o videoclipe desloca a história para o presente e multiplica as possibilidades de encontro. Gravado no tradicional Bar da Dalva, no Bixiga, em São Paulo, o vídeo transforma o bar em cenário de dança, bebida e flerte. Se na música o “faceiro” pertence a uma paixão passada, no clipe o protagonista vive diferentes paixões ao mesmo tempo: ninguém é de ninguém.
Dirigido por Pina e Renato Stockler, que também assinam o roteiro ao lado de Rodrigo, o clipe contou com uma produção majoritariamente queer e a presença de amigas trans do artista no elenco. Um detalhe dos bastidores ajuda a traduzir a atmosfera da gravação: as bebidas consumidas durante as filmagens não eram cenográficas.
Com nove faixas autorais, VIADO DESALMADO percorre ainda o brega, o breganejo, a sofrência e o sertanejo para contar encontros e desencontros amorosos. “Faceiro” é o primeiro convite para esse universo.

