Rodrigo Bittes lança “VIADO DESALMADO”, seu primeiro álbum de estúdio
O cantor e compositor Rodrigo Bittes lança “VIADO DESALMADO”, seu primeiro álbum de estúdio. Com nove faixas autorais, o trabalho parte do sertanejo – gênero que marcou a formação do artista goiano – para atravessar piseiro, forró, brega, pagode, salsa e axé em uma história de amor vivida por um homem gay. Mais do que reunir diferentes ritmos, o álbum faz dessas mudanças de linguagem parte da própria narrativa: à medida que o personagem se apaixona, sofre, se desilude, se arrepende, reencontra o amor e sente saudade de casa, a música também muda de forma.
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“VIADO DESALMADO” nasceu, justamente, de uma ideia mais específica. A faixa-título foi o primeiro sertanejo composto por Rodrigo e surgiu com a vontade de levar uma perspectiva queer para um gênero historicamente associado a imaginários masculinos heterossexuais. A primeira ideia era transformar esse impulso em um disco de sertanejos gays, dividido em dois volumes. O projeto mudou de direção quando Rodrigo começou a trabalhar com o produtor Ivan Gomes e apresentou outras composições que não pertenciam ao sertanejo.
“A gente entendeu que era mais interessante construir uma narrativa de um eu-lírico que passeia por amores, aventuras e desventuras, ilusões e desilusões, e que também, nesse passeio, passa por diferentes ritmos e estilos musicais”, conta Rodrigo.
A partir daí, o álbum ganhou uma unidade que não depende de um único gênero. O sertanejo continua sendo sua alma, mas convive com outras formas da música popular brasileira. Em “DIÁLOGO INTERNO”, por exemplo, um pagode de inspiração noventista se transforma gradualmente em uma bossa nova lenta, acompanhando o recolhimento do personagem. “VOCÊ NA MENTE” transforma o reencontro amoroso em uma canção de amor em ritmo de axé. Já “SERTANEJO DA MINHA VIDA”, faixa que encerra o disco, leva a saudade de casa para o piseiro, aproximando a percussão eletrônica de uma poesia sobre origem, memória e pertencimento.
O lançamento é independente, com distribuição da AlgoHits.
Essa mistura também revela uma escolha estética e política. Sertanejo, brega, piseiro e outros ritmos populares presentes no álbum foram muitas vezes colocados em posições inferiores dentro das hierarquias culturais. Rodrigo procura, então, ocupar essas linguagens com outras experiências e outros corpos. O resultado é um disco de música brasileira atravessado por uma perspectiva queer, em que a identidade não funciona como tema isolado, mas como lugar de onde essas canções são criadas.
“É uma perspectiva gay do apaixonamento, do amor, em diferentes momentos de vida. É uma das possíveis histórias de amor, dentre tantas outras possíveis. É a viadagem, uma das viadagens, vivida em sua plenitude”, explica.

A experiência goiana é outra camada fundamental do álbum. O cerrado, o sertanejo, os cavalos, a saudade de casa e a memória do êxodo aparecem ao longo das canções como elementos de uma formação afetiva. No encerramento do disco, “SERTANEJO DA MINHA VIDA” amplia a história de amor para além da relação entre duas pessoas. Ao cantar “eu-prole, eu-canção, eu-fé”, Rodrigo transforma a busca pelo outro em uma descoberta de si, da própria origem e das formas de pertencimento que permanecem quando a paixão passa.


